Projetos como Smart Sampa, na capital paulista, e o Olho Vivo, no Paraná, mostram como a IA já ajuda a reduzir crimes nas metrópoles brasileiras.
A segurança pública nas grandes cidades brasileiras passa por uma transformação tecnológica que já mostra resultados concretos. Sistemas de videomonitoramento equipados com inteligência artificial deixaram de ser apenas ferramentas de registro de imagens e passaram a funcionar como centrais de análise em tempo real, capazes de identificar comportamentos suspeitos, localizar pessoas desaparecidas e ajudar na captura de foragidos. Para quem circula diariamente pelas metrópoles, a pergunta que fica é até que ponto essa tecnologia realmente reduz a criminalidade sem comprometer a privacidade dos cidadãos.
Em São Paulo, o projeto Smart Sampa já conta com mais de 50 mil câmeras instaladas em todas as regiões da cidade, utilizando reconhecimento facial integrado para auxiliar na identificação de suspeitos envolvidos em casos de violência. Somente em 2026, o sistema já havia contribuído para 632 prisões, segundo dados divulgados pela Prefeitura de São Paulo. O modelo tem inspirado outras cidades a investir em soluções semelhantes, ainda que em escalas diferentes.
Como outros estados estão usando reconhecimento facial
No Paraná, o programa Olho Vivo integra 26,5 mil câmeras inteligentes equipadas com inteligência artificial, voltadas para o reconhecimento de criminosos, a localização de pessoas desaparecidas e a identificação de veículos furtados ou roubados. Já na Bahia, o reconhecimento facial se tornou parte da rotina de mais de 80 municípios, e o sistema já havia superado a marca de mil prisões realizadas com o auxílio das câmeras inteligentes até maio de 2026, segundo a Secretaria da Segurança Pública do estado.
O avanço dessas tecnologias acontece em um contexto de preocupação crescente com a segurança pública no país. Dados do Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que as buscas pela palavra “crime” no Google dobraram entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 também aponta que roubos e furtos de celulares chegaram a 431 casos por 100 mil habitantes, o equivalente a quatro casos por minuto em todo o país.
Os limites éticos e jurídicos da videovigilância com IA
O crescimento acelerado dessas tecnologias também traz impasses que vão além da eficiência policial. Especialistas alertam para o equilíbrio necessário entre segurança pública, proteção de dados pessoais e direitos fundamentais dos cidadãos, especialmente em um país onde a regulação sobre uso de reconhecimento facial em espaços públicos ainda está em construção. A chamada “IA invisível”, conceito que defende sistemas de vigilância menos intrusivos desde a fase de concepção, tem ganhado espaço como alternativa para equilibrar inovação tecnológica e privacidade nas cidades inteligentes.
O mercado global de câmeras de vigilância com inteligência artificial deve saltar de um valor estimado em US$ 11,3 bilhões em 2026 para cerca de US$ 66,1 bilhões até 2035, segundo levantamento da Business Research, um crescimento anual médio superior a 21%. No Brasil, o setor de segurança eletrônica também segue em expansão, tendo faturado cerca de R$ 14 bilhões em 2024, com crescimento de 16,1% em relação ao ano anterior.
Além da segurança pública tradicional, a inteligência artificial também tem sido aplicada na fiscalização de trânsito. Câmeras equipadas com algoritmos de aprendizado profundo já conseguem identificar comportamentos de risco, como uso de celular ao volante ou ausência de cinto de segurança, indo além da simples medição de velocidade. A tendência apontada por especialistas do setor é que esses sistemas se tornem cada vez mais preditivos, antecipando riscos antes que acidentes aconteçam, o que reforça o papel da tecnologia como parte central da gestão das metrópoles brasileiras nos próximos anos.
Fontes consultadas:
- https://www.comciencia.br/inteligencia-artificial-na-seguranca-publica-avanca-entre-promessas-e-controversias-no-brasil/
- https://www.precisio.global/cidades-inteligentes-no-brasil-percepta/
- https://revistasegurancaeletronica.com.br/nova-era-da-vigilancia-aposta-em-ia-para-tornar-cidades-mais-seguras-e-eticas/
- https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/cameras-com-ia-conheca-tecnologia-que-automatiza-multas-no-transito/
- https://voicedata.com.br/inteligencia-artificial-seguranca-eletronica-e-cidades-inteligentes-por-que-2026-sera-o-ano-da-prevencao/