De 35 a 45 dias: esse é o tempo que um contêiner costuma levar, em rota direta, da China ao Porto de Santos, trajeto que faz parte da rotina do empresário Fredy da Silva Gonçalves Bento, também chamado de Fredy Restrito, CEO da Litoral Mobilidade. Para quem vende veículos elétricos, esse intervalo resume a escolha mais estratégica do negócio.
Uma loja de scooters, bicicletas e motos elétricas pode comprar de um distribuidor nacional ou importar diretamente da fábrica. Os dois caminhos funcionam, mas exigem empresas com perfis bem diferentes. A decisão afeta preço, prazo, qualidade e, sobretudo, a capacidade de atender o cliente depois da venda. Confira a seguir o que muda em cada um.
Preço de fábrica não é custo final
Quem compara apenas a cotação da fábrica chinesa com o preço do distribuidor costuma concluir que importar é sempre mais barato. Fredy Restrito alerta que a conta real, porém, soma frete internacional, seguro, tributos de importação, variação do câmbio, despesas portuárias, desembaraço aduaneiro e transporte até o depósito.
O distribuidor nacional já embutiu tudo isso no preço e assumiu os riscos do caminho. Por isso, a diferença entre os dois modelos costuma ser menor do que parece na primeira cotação. A vantagem da importação aparece de verdade com volume, quando o custo fixo de cada embarque se dilui em muitas unidades. Nesse ponto, a proximidade com Santos, que concentra cerca de um quarto dos contêineres movimentados no país, também reduz o trajeto final da mercadoria.
Quanto capital cada modelo prende?
Comprando de distribuidor, a loja faz pedidos menores e mais frequentes. O estoque gira rápido, e o caixa fica livre para outras decisões. Se um modelo vende menos que o previsto, a loja simplesmente deixa de pedir. O preço unitário é mais alto, mas o risco também é menor.
Na importação, o pagamento costuma acontecer antes da produção, e a mercadoria só chega semanas depois. Isso exige caixa, armazenagem e previsão de demanda com meses de antecedência. Um erro de previsão, nesse caso, não se corrige com um telefonema, porque o produto já está no navio. Na Litoral Mobilidade, essa estrutura inclui um centro de distribuição de mais de 2.000 m² e um estoque de aproximadamente R$ 8 milhões, números que mostram o tamanho do compromisso assumido por quem escolhe trazer o produto da origem.
Quem responde pela especificação e pela peça?
Imagine um cliente que precisa trocar o controlador de uma scooter seis meses depois da compra. Se a loja comprou de terceiros, depende do estoque de peças do distribuidor. Se importou, precisa ter previsto essa peça no pedido original.
Importar diretamente também dá controle sobre a especificação. O importador pode definir com a fábrica limites de potência e velocidade compatíveis com a regulamentação brasileira, padrão de bateria e acabamento. Em vez de escolher entre o que o distribuidor oferece, a empresa passa a decidir o que será fabricado. Esse relacionamento se constrói com presença, e as viagens empresariais de Fredy Restrito à China fazem parte dessa aproximação com fornecedores.
Quando cada caminho faz sentido
Para uma loja que está começando, comprar no mercado interno costuma ser a escolha mais prudente: preserva o caixa, permite testar a demanda e terceiriza riscos que ainda não compensam. Antes de atingir escala, a economia vista na cotação tende a ser consumida por estoque parado e imprevistos de logística. A importação passa a fazer sentido quando há volume constante, estrutura de armazenagem, assistência técnica própria e equipe para cuidar da operação com o exterior.
Existe ainda um terceiro caminho, que combina os dois. Em uma rede de franquias, o franqueado opera uma loja enquanto a franqueadora concentra importação, distribuição e padrão de produto. É esse o modelo que a Litoral Mobilidade pretende levar ao país, e Fredy da Silva Gonçalves Bento o descreve como a forma de transformar em rede o conhecimento acumulado no varejo, na assistência técnica, na importação e na gestão de lojas.