O Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR Gov) registrou 44.669 notificações de incidentes e vulnerabilidades em 2026. O dado aparece no painel oficial do órgão, ligado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, e reúne ocorrências identificadas em redes da Administração Pública Federal e de instituições integrantes da Rede Federal de Gestão de Incidentes Cibernéticos.
A estatística foi consultada em 28 de setembro de 2026 e considera registros recebidos pelo centro ao longo do ano. O painel também apresenta 15.132 notificações em 2023, 14.921 em 2024 e 18.092 em 2025. A própria metodologia, porém, alerta que alterações na coleta, na classificação e no número de fontes utilizadas em 2026 impedem uma leitura direta da evolução anual.
O que mostram os dados do CTIR Gov
As notificações contabilizadas pelo CTIR Gov abrangem eventos que podem afetar a disponibilidade, a integridade, a confidencialidade ou a autenticidade de sistemas e informações. Na prática, o painel funciona como um retrato dos alertas e ocorrências identificados em ambientes públicos conectados à rede, permitindo acompanhar diferentes tipos de riscos digitais.
Segundo a página CTIR Gov em Números 2026, os registros são baseados em notificações voluntárias. Por isso, o total não deve ser interpretado como uma contagem geral de todos os ataques contra órgãos públicos, nem como uma medição direta de invasões bem-sucedidas, vazamentos de dados ou interrupções de serviços.
A divulgação oferece, ainda assim, uma referência sobre o volume de informações processadas pela estrutura federal de resposta a incidentes. Para gestores de tecnologia, equipes de segurança, fornecedores e instituições públicas, esse acompanhamento ajuda a indicar quais ameaças estão sendo observadas e onde podem ser necessárias medidas de prevenção ou correção.
Por que 2026 não pode ser comparado diretamente com anos anteriores
O painel informa que a estrutura de monitoramento passou por mudanças durante 2026. Entre elas está a ampliação do uso de feeds de inteligência e o consumo de informações provenientes de fontes como Shadowserver, CSIRTamericas e CERT.br. A inclusão de novos canais pode aumentar a capacidade de identificar ocorrências que antes não chegavam ao sistema.
Outra alteração mencionada pelo CTIR Gov foi a retomada, em agosto, do envio individualizado de notificações para instituições de ensino. Esse procedimento contribuiu para elevar a quantidade de registros processados no período. Dessa forma, a diferença entre os 44.669 registros de 2026 e os totais dos anos anteriores pode refletir tanto a ocorrência de eventos quanto a expansão e a reorganização do processo de coleta.
O cuidado é importante porque uma série histórica só permite comparações mais precisas quando mantém critérios semelhantes de abrangência, origem dos dados e classificação. No caso do CTIR Gov, o número de 2026 deve ser compreendido dentro do contexto metodológico apresentado pelo próprio órgão, sem ser usado isoladamente para afirmar que houve uma alta proporcional nos ataques ou nos danos causados.
Quais tipos de incidentes são monitorados
Entre as categorias listadas no painel estão código malicioso, engenharia social, indisponibilidade, intrusões, obtenção de informações, ransomware e vulnerabilidades. A classificação reúne situações distintas: algumas podem representar uma ameaça identificada antes de produzir impacto, enquanto outras indicam atividade que exige investigação e resposta técnica.
Vulnerabilidades, por exemplo, correspondem a fragilidades que podem ser exploradas em sistemas ou serviços. Já ocorrências relacionadas a código malicioso, intrusões e ransomware estão associadas a diferentes formas de comprometimento ou tentativa de comprometimento de ambientes digitais. A presença de uma notificação, contudo, não significa automaticamente que houve acesso indevido a dados ou paralisação de um serviço.
Como as notificações ajudam a proteger redes públicas
O CTIR Gov atua na prevenção, no tratamento e na resposta a incidentes cibernéticos relacionados ao governo. A centralização de alertas permite que instituições recebam informações sobre riscos, compartilhem sinais de ameaça e adotem providências como análise de sistemas, correção de vulnerabilidades e reforço de controles de segurança.
Para cidadãos, o monitoramento tem impacto indireto na confiabilidade de serviços digitais públicos. Sistemas governamentais dependem da disponibilidade e da proteção de dados para oferecer atendimento, consultas e operações pela internet. A transparência dos números não elimina os riscos, mas ajuda a mostrar como os órgãos acompanham ocorrências e estruturam respostas.
O painel de 2026, portanto, deve ser lido como uma ferramenta de acompanhamento institucional. As 44.669 notificações indicam o volume de registros processados no período pelas redes e fontes abrangidas pelo CTIR Gov, mas não substituem análises específicas sobre gravidade, origem, impacto ou resultado de cada ocorrência.
Fontes: Gabinete de Segurança Institucional — CTIR Gov em Números 2026; página institucional do CTIR Gov.