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Belo Horizonte terá 96 ônibus elétricos: o que muda para quem usa o transporte público

Damien Corvain
Damien Corvain Publicado em setembro 24, 2026
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8 Min Read

Novos veículos terão acessibilidade, ar-condicionado e autonomia superior a 250 quilômetros, com operação gradual prevista a partir da entrega da frota.

A mobilidade urbana de Belo Horizonte entrou em uma nova etapa nesta semana com a formalização dos contratos para a compra de 96 ônibus totalmente elétricos. O anúncio foi feito pela Prefeitura em 22 de setembro, dentro de um projeto financiado com recursos do PAC Seleções e que também inclui 27 equipamentos para recarga das baterias. O contrato com a Caio Induscar tem valor de R$ 307,6 milhões e vigência de 20 meses, enquanto a contratação dos carregadores soma R$ 5,5 milhões.

Para o morador da metrópole mineira, porém, a principal dúvida não está apenas no valor da compra. A questão é saber quando os ônibus começarão a circular, onde serão utilizados e o que a mudança pode representar para conforto, acessibilidade, ruído e qualidade do ar. Os veículos terão capacidade para até 71 passageiros, cinco portas, ar-condicionado, recursos de acessibilidade e autonomia superior a 250 quilômetros.

Quando os ônibus elétricos começam a circular em Belo Horizonte?

A chegada dos novos ônibus será gradual, conforme o cronograma de fabricação e entrega definido no contrato. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura, os veículos serão incorporados progressivamente à frota, enquanto a estrutura de recarga também será instalada para permitir o funcionamento regular do sistema. A contratação prevê 27 carregadores, sendo que parte deles ficará nas garagens das empresas responsáveis pela operação do transporte coletivo.

Informações divulgadas pelo Diário do Comércio apontam que uma primeira remessa de dez veículos deve começar a circular em dezembro de 2026. A publicação também informa que a frota completa deverá ser fornecida posteriormente, acompanhando a implantação da infraestrutura necessária. Por isso, o efeito para os passageiros não deve ocorrer de uma só vez, mas ao longo da expansão da operação.

A aquisição atual também representa uma redução em relação ao projeto originalmente previsto. A licitação havia sido homologada para 100 ônibus, mas o contrato formalizado em setembro ficou em 96 unidades, depois da atualização dos valores dos veículos durante o processo de contratação. O valor de R$ 307,6 milhões corresponde aos 96 ônibus e a estrutura prevista no contrato, enquanto os carregadores possuem contratação específica.

O que muda para passageiros de ônibus em BH?

Para quem utiliza o transporte coletivo diariamente, a mudança mais perceptível tende a estar relacionada às características dos próprios veículos. Os novos ônibus serão do tipo BRT Misto, terão cinco portas, ar-condicionado e capacidade para até 71 passageiros, além de recursos de acessibilidade e segurança. A autonomia superior a 250 quilômetros por carga foi projetada para atender às condições de operação previstas para o sistema municipal.

Outro aspecto é o ruído. Diferentemente dos ônibus convencionais movidos a diesel, os veículos elétricos não produzem emissões locais durante a operação e apresentam funcionamento mais silencioso. A Prefeitura estima que a substituição de veículos a combustão por elétricos possa evitar aproximadamente 11,8 mil toneladas de dióxido de carbono por ano, além de contribuir para a redução da poluição sonora.

A experiência não surgiu apenas com a contratação deste ano. A Superintendência de Mobilidade de Belo Horizonte realizou testes com diferentes modelos de ônibus elétricos entre 2023 e 2024 para avaliar o desempenho da tecnologia nas condições da capital. Segundo a Prefeitura, os estudos indicaram vantagens relacionadas aos custos operacionais, ao conforto de passageiros e motoristas e à redução das emissões de dióxido de carbono.

Por que a eletrificação do transporte importa para uma metrópole?

A mudança é relevante porque o transporte coletivo está diretamente ligado à qualidade ambiental e à rotina de uma cidade de grande porte. Em áreas urbanas densas, uma frota de ônibus que circula diariamente pode influenciar tanto a emissão de poluentes quanto o nível de ruído percebido nas vias. A eletrificação não resolve sozinha os problemas de mobilidade, mas representa uma mudança tecnológica na forma como parte do transporte público é operada.

Outro ponto importante é a infraestrutura. Comprar ônibus elétricos exige mais do que substituir veículos: é necessário instalar carregadores, preparar garagens, treinar profissionais e organizar a operação para que os veículos tenham energia suficiente durante a jornada. O contrato dos carregadores inclui instalação, garantia, assistência técnica e capacitação de profissionais, incluindo motoristas e equipes de manutenção.

O projeto também está relacionado ao financiamento federal destinado à modernização da mobilidade urbana. A Prefeitura informa que os recursos para a aquisição foram assegurados pelo PAC Seleções, enquanto o planejamento municipal vem sendo desenvolvido há anos. Em 2025, a capital mineira já havia assegurado recursos federais para projetos de mobilidade que incluíam a aquisição de ônibus elétricos e carregadores.

Para o passageiro, o ponto central será acompanhar como os novos veículos serão distribuídos pelas linhas e como a infraestrutura de recarga funcionará no cotidiano. A incorporação gradual significa que ônibus elétricos e convencionais continuarão convivendo durante a transição. A experiência de Belo Horizonte poderá, portanto, servir também como referência para outras cidades brasileiras que enfrentam desafios semelhantes para modernizar o transporte coletivo.

A chegada dos 96 ônibus elétricos coloca Belo Horizonte entre as capitais que avançam na eletrificação do transporte público. O projeto combina renovação da frota, infraestrutura de recarga e adaptação da operação, com impactos que vão além da tecnologia embarcada. Para quem vive na cidade, os resultados mais concretos deverão aparecer conforme os veículos forem entregues e começarem a circular. A expectativa é de uma operação com menos ruído e sem emissão de poluentes pelo escapamento, além de melhorias de conforto e acessibilidade. A transformação, contudo, será gradual e dependerá da integração entre veículos, carregadores, garagens e planejamento das linhas.

Fontes utilizadas:

  • Prefeitura de Belo Horizonte — compra de 96 ônibus elétricos e 27 carregadores
  • Diário do Comércio — contrato de R$ 307,6 milhões para 96 ônibus elétricos
  • Diário do Comércio — previsão de chegada dos primeiros ônibus em dezembro
  • Hoje em Dia — redução de 100 para 96 veículos no contrato
  • O Tempo — detalhes do contrato e previsão de chegada dos veículos
  • Prefeitura de Belo Horizonte — dados mensais do transporte por ônibus
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