De acordo com a Ecodust Ambiental, empresa especializada em inovação para a gestão de resíduos sólidos, economia circular e infraestrutura ambiental, os garis representam a ponta mais visível, e ao mesmo tempo mais invisibilizada, de toda a cadeia de gestão de resíduos das cidades brasileiras, do maior centro urbano ao menor município do interior.
Presentes nas ruas todos os dias, em qualquer condição climática, esses profissionais raramente recebem o reconhecimento proporcional à importância do trabalho que exercem para a saúde pública e o funcionamento básico das cidades.
Entenda a seguir por que essa profissão merece mais atenção do que costuma receber e quais desafios ainda marcam essa atividade no Brasil.
Por que o trabalho do gari é tão essencial quanto pouco reconhecido?
A varrição de ruas e a coleta manual de resíduos realizada por garis previnem o acúmulo de lixo em vias públicas, reduzindo diretamente riscos sanitários associados à proliferação de vetores e à obstrução de sistemas de drenagem urbana, especialmente em períodos chuvosos. Para o Eng. Marcello José Abbud, Diretor de Operações da Ecodust Ambiental, o trabalho realizado por esses profissionais costuma ser lembrado pela população apenas em sua ausência, quando o acúmulo de resíduos nas ruas se torna visível, o que reforça o caráter invisível de uma atividade extremamente necessária ao cotidiano urbano.
Sem esse trabalho diário, mesmo cidades com sistemas de coleta domiciliar eficientes acumulariam rapidamente resíduos descartados de forma irregular em calçadas, praças e vias públicas.
Quais riscos ocupacionais os garis enfrentam diariamente?
Exposição prolongada ao sol, contato direto com materiais perfurocortantes descartados incorretamente e risco de atropelamento durante o trabalho em vias de tráfego intenso figuram entre os principais riscos ocupacionais enfrentados por garis em todo o país. A Ecodust Ambiental observa que equipamentos de proteção individual adequados e treinamento contínuo sobre manuseio seguro de resíduos são investimentos que, embora exijam recursos, reduzem significativamente os acidentes de trabalho nessa categoria profissional.
Muitos acidentes registrados nessa profissão têm origem no descarte incorreto de objetos cortantes ou perfurantes por parte da própria população, o que reforça como o comportamento individual do gerador de resíduos afeta diretamente a segurança de quem trabalha na ponta da cadeia de coleta. Entre esses casos, embalagens de vidro quebrado, lâminas de barbear e agulhas descartadas sem qualquer proteção representam parte considerável desses acidentes evitáveis, caso o descarte domiciliar fosse feito com um mínimo de cuidado adicional.
Como a valorização dessa profissão pode melhorar a gestão urbana de resíduos?
Municípios que investem em melhores condições de trabalho, equipamentos adequados e planos de carreira estruturados para garis costumam registrar menor rotatividade nessa função, o que se traduz em equipes mais experientes e eficientes na operação diária de limpeza urbana. A Ecodust Ambiental avalia que tratar essa categoria como parte estratégica da infraestrutura de resíduos, e não apenas como mão de obra substituível, tende a gerar ganhos de qualidade perceptíveis para toda a cidade ao longo do tempo.
Equipes mais estáveis e experientes também acumulam conhecimento prático sobre particularidades de suas rotas de trabalho, identificando pontos críticos de acúmulo e padrões de geração de resíduos que dificilmente aparecem em relatórios técnicos elaborados à distância pela administração pública.
Que mudanças já começam a valorizar mais essa categoria profissional?
Iniciativas recentes de reconhecimento público, campanhas de valorização em datas específicas e melhorias pontuais em equipamentos de proteção individual sinalizam um movimento ainda inicial, mas crescente, de maior atenção a essa categoria profissional. A Ecodust Ambiental entende que a valorização consistente dessa profissão, para além de gestos simbólicos pontuais, depende de políticas públicas de longo prazo que garantam condições de trabalho dignas e reconhecimento social permanente para uma atividade essencial ao funcionamento das cidades.
Programas de capacitação que abram caminho para promoção interna, saindo da função de coleta direta para posições de supervisão ou operação de equipamentos mais avançados, também representam uma forma concreta de valorização profissional, para além do discurso público de reconhecimento simbólico.